Origem da Raça

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No início do reinado de Carlos V da Espanha, chegaram à cidade espanhola de Córdoba, os embaixadores do rei de Marrocos, para serem recebidos pelo imperador. Um dos cavalos da expedição foi deixado numa pousada por estar sofrendo com cólicas, com a seguinte recomendação: "Cuide de éste caballo y, si viviera, quiéralo mucho, pues es del mejor linaje que tiene nuestro rey, ni tiene igual en toda Barbarie". O cavalo se recuperou e foi adquirido por um tropeiro de nome Guzmán, que o chamou com o mesmo nome "Guzmán". Posteriormente passou a pertencer a um nobre chamado Don Luiz Manrique, que era criador de cavalos. Guzmám foi cruzado com todas as éguas e as crias passaram a ter grande valor. Com a morte de Guzman, um de seus filhos passou a ser utilizado como semental. Com o nome de Manrique por homenagem ao dono, superava o pai pela perfeição dos aprumos. Com a morte do dono , os cavalos foram arrematados por Don Martín Fernandez de Córdoba. Com eles, Don Martín fez o mais perfeito criatório de Córdoba, cujas éguas foram chamadas de "cordobesas de casta fina". O Duque de Sesa, Don Gonzalo, montou criatórios de cavalos com éguas e garanhões de Don Martín Fernández, que foram selecionados por o seu cavalariço Juan de Valenzuela. Por isso o nome da raça "Valenzuela". Tudo indica que a ficha técnica do cavalo Guzmán está incluída no que se chama cavalo berberisco ou berebere. Fonte: www.abccc.com.br Em 1493, os cavalos espanhóis pisam pela primeira vez em terra americana, na ilha La Española, hoje São Domingos, e são os antepassados diretos, de todos os cavalos "crioulos" americanos. Uma vez aclimatados ao novo ambiente e incrementada sua criação com as importações realizadas posteriormente, reproduziu-se com rapidez, em poucos anos, estendeu-se para as outras Antilhas e passou ao Continente. Panamá e a Colômbia parece que foram as primeiras regiões em importância na produção de rebanhos. Do Panamá passaram ao Perú, levados por Pizarro e ali começaram a multiplicar-se a partir de 1532, e é também ali que chegam, em 1538, cavalos provenientes da criação de Santiago de Uruba (Colômbia). Charcas se transforma assim, em um importante centro produtor de equinos. Contemporaneamente, Pedro de Mendoza (1535) e Alvar Núñez Cabeza de Vaca (1541), introduzem cavalos diretamente da Espanha, no Rio da Prata e no Paraguai. Alonso Luis de Lugo se compromete a levar da Espanha, para conquista de Nova Granada, "duzentos cavalos" e Hernando de Soto sai de San Lúcar de Barrameda (1538), com "cem cavalos" para sua expedição na Flórida. A partir deste momento começa no continente, que nos abrangeu, a colonização espanhola e especialmente no sul-americano, um verdadeiro intercâmbio de rebanhos equinos entre as distintas regiões. Procedem de Charcas as que Valdivia, 1541, levou ao Chile e em 1548 Diego de Rojas para Tucumam, e daí, em 1573, Luis de Cabrera para Córdoba e logo à Santa Fé. Nesta zona, mais ou menos na mesma época, chegam cavalos paraguaios, trazidos por Garay, descendentes dos que há 30 anos antes, Cabeza de Vaca introduziu diretamente da Espanha e dos que, em 1569, Felipe de Cáceres levou do Perú. Do Paraguai procederam, também, os rebanhos equinos que chegaram à Buenos Aires, 1580, levados por Juan de Garay e Adelantado Juan Torres de Vera e Aragón a Corrientes, em 1588. Do Chile chegam à Argentina, 1561, através de Cuyo, rebanhos tra zidos por Francisco de Aguirre, Castillo e outros. Entra no Chile, em 1605, os que levou do Rio da Prata o governador do Chile, Garcia Ramos, e os que, em 1601, levou de Tucumam o Capitão López Vasques Pestaña. Verifica-se (Goulart, 1964) que a criação de cavalos se inicia nas reduções do Rio Grande do Sul, em 1634, com os trazidos pelos padres jesuítas Cristóbal de Mendonza e Pedro Romero, desde Corrientes, onde os levou, em 1588, Alonso de Vera e Aragón, desde Assunção. Paralelo a este movimento de rebanhos mansos, seja por abandono ou fuga dos domesticados ou porque, com o correr dos anos, o número destes foi aumentando na forma tal que superou as possibilidades ou as necessidades dos primeiros habitantes, de mante-los sob controle, no norte e no sul do continente americano, este primitivo rebanho crioulo se dispersou, formando enormes rebanhos selvagens, que no México e Estados Unidos chamaram de "mesteños" e "mustangs" e "cimarrones" nas ilhas e América Central. No Rio da Prata os designaram como "baguales", o "kaitá" dos índios pampas que acompanharam o Dr. Zeballos (1834) em sua viagem ao Chile, ou "saguá" dos indios do noroeste argentino. Dos dispersados, os "cimarrones" que habitaram os "lençóis dominicanos" ou "planos da Venezuela", se diz que eram caçados no primeiro quarto século XVIII. Roberto Cunninghame Graham (1946) diz em seu livro que, por esses anos, nos planos da Venezuela, era o único lugar da América onde podiam encontrar-se cavalos "cimarrones". O "mustang" americano ou o "mesteño" mexicano tem origem parecida. Cabrera (1937 e 1945) e Denhardt (1947) explicam que não podiam ser cavalos abandonados ou perdidos pelas expedições de Cabeza de Vaca (1528, 1537) ou de Soto (1539, 1543), ou pela de Coronado (1540, 1542), porque a primeira não levava cavalos e as duas últimas praticamente perderam todas suas montarias, mortas por fadiga da viagem ou pelos índios. Acredita-se que foi Juan de Oñate, aproximadamente em 1595, quem levou ao sudoeste dos Estados Unidos, os antepassados do "mustang". Parte daqueles cavalos domesticados se dispersou posteriormente das missões, fazendas ou "ranchos" atacados pelos índios e constituiram o que a literatura americana chamou de "cavalos selvagens", que eram cavalos mansos que viraram selvagens, "cimarrones" ou "baguales", segundo as denominações que lhes deram nos "lençóis dominicanos" ou na "pampa sul americana". Dos originais "ginetes" andaluzes, possivelmente muitos morreram durante as conquistas, mas outros, sem dúvida, se reproduziram e seus descendentes, aclimatados pelo meio americano durante muitas gerações, forjaram essas populações crioulas, constituídas pelo "pequeno grande cavalo da América",como acertadamente batizou Guilherme Echenique.



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Cabanha Tarumã